“Estava pronta. Olhava com uma gravidade de sobrancelhas franzidas para o espelho e parecia satisfeita. Sim, estava bem. Vestia uma comprida e pesada saia de tweed, que lhe escondia as pernas. Os saltos altos faziam-lhe sobressair levemente os tornozelos. E agora o chapéu. Era cinzento, de copa baixa, abas largas. Quando o punha sobre a cabeça esguia transformava-se numa mulher de quarenta anos - numa branca, histérica, hipocondríaca genuflectora de igreja. A aba larga sobre a testa agitada, a intensidade emotiva infantil, o medo, o desejo religioso - que pena tudo aquilo fazia! Enquanto ele, o judeu gasto, por barbear, pecador, pondo-lhe em perigo a redenção - apertou-se-lhe o coração. Mas ela mal o fixava. Pusera o casaco com a gola de esquilo e procurava, por baixo, ajustar os enchumaços dos ombros. Aquele chapéu!”
Estive com o ‘Herzog’ na mão num destes últimos fins de semana.
E fiquei com ele debaixo de olho.
Depois deste saboroso aperitivo, acho que lhe vou pegar. :)
ah, adorei Herzog ! e pergunto-me por onde é que andará esse livro , deste-me vontade de o reler
E eu, com os olhos cansados, espreitando Pousadas… posso aproveitar e levar esse livro!!!