Tão auto centrada vive uma criança de 2 anos que julga que tudo lhe pertence e a tudo tem direito.
Cabe-nos a nós, pais e no seu interesse, transmitir-lhe um pouco de realidade.
Vem isto a propósito de, muitas vezes sentirmos que a Matilde tem dificuldade em separar-se dos brinquedos com que gostou de brincar em casa de uma outra criança ou de querer trazer sempre consigo as coisas com que habitualmente se entretém em casa dos avós.
E é curioso verificarmos que designadamente os avós a quem pertencem tais objectos, na maior das boas vontades e com quem muito nos identificamos no que respeita a formas de educar, querem que a pequenita traga consigo aquilo de que não se quer separar, para que não sofra de qualquer forma.
Ora, aquilo que nos parece é que é natural e até desejável que ela sofra agora por lhe dizermos que tem que devolver o que não lhe pertence, do que sofrer mais tarde, na adolescência ou mesmo na idade adulta, por eventualmente não saber viver sem o que não pode ter, por não lhe pertencer e não ter meios para o obter.
Ainda por cima as visitas aos avós são excelentes oportunidades para transmitir a noção do alheio e a necessidade de nos separarmos do que não nos pertence e de sabermos viver com o que não podemos ter, uma vez que estas oportunidades se repetem todas as semanas.
Agora, também será desejável que tenhamos connosco um dos seus bonecos preferidos para que lhe possamos dizer que tem o seu boneco e que, nestes casos, a poderá confortar.
O extraordinário é que isto resulta.
Começa-se pela necessidade, sempre um pouco dramática, de dizer “não”, “não é teu”, para a ver pouco tempo depois a devolver naturalmente o que não lhe pertence.
É preciso é não temer estes pequenos deuses.
A constância nos comportamentos e a serenidade na adversidade são ingredientes fundamentais para os pais, na educação dos filhos. A constância é a materialização das regras; a serenidade alivia o conflito emocional latente.
Uns miminhos e palavras de apreço no fim selam a experiência com um “procedi bem; a repetir!”.
Apesar de não ser pai, gosto destes seus textos sobre a educação da Matilde. A sua preocupação em lhe transmitir valores fundamentais para a construção de uma personalidade correcta é, a todos os níveis, admirável sobretudo porque é rara nos dias que correm. Muitas crianças são habituadas a ter tudo o que querem apenas como uma maneira de compensação pelo tempo que não é gasto com as mesmas e na sua educação. Assim habituam-se a “ter” e não a “ser”.
É optimo voltar a vosso contacto depois dos problemas de alojamento que tiveram :)
Também é bom voltar a “vê-lo” por cá !
Infelizmente parece é que os nossos problemas de alojamento ainda não estão absolutamente solucionados.
A empresa de que somos clientes ainda corre o risco de nos ver a passar para a concorrência :) !